É incrível o quanto a vida pode ainda pode te surpreender.
Dentre tantas maçãs que você poderia ter colhido nos anos anteriores, e que já estavam lá, na sua vista, ela só resolve cair agora. Mas de um jeito tão bom. Aparentemente saborosa. Um bom aspecto. Uma maçã tão boa. Rara.
Então, por que comê-la? Se, ao fazer, sabe que vai acabar?
Acho que sou daqueles que as guarda. Cuida. Olha. Ou prova de pouquinho. Para que dure. Se por acaso alguém tente comê-la, ou roubá-la, eu não deixo, pois é minha maçã amiga. Tão boa. Caso perca, vou atrás. Não vou desistir de tê-la lá. É tão rara. Tão rara. A sintonia foi boa. Te deixa bem.
Então, por que comê-la? Se, ao fazer, sabe que vai acabar?
Mas, sim, essa maçã tem sentimentos. E nem tudo depende de mim, infelizmente.
Há aqueles que perdem a fé em determinadas coisas.
Há os que não conseguem ter uma boa percepção e perdem a fé nas pessoas. Algo extremo e imprudente.
Ainda que pessoas, em sua maioria sejam medíocres e falsas e totalmente não confiáveis, há exceções. Pra tudo há exceção. Por que não nisso?
Minha expectativa pra 2013 era de encontrar pessoas boas, do tipo diferente das que encontrara em 2012 ou 2011, onde conheci muita gente nova, mas nem todas eram o que pareciam. Por mais que eu gostasse delas. E esse ano ainda não me decepcionou e eu espero que não aconteça. Mas, quando se lida com expectativas, é bom ficar com o pé atrás.
Os receios existem, obviamente, mas eu prefiro ser positivo. E por enquanto tá dando certo. As pessoas que conheci são tão boas, tão verdadeiras em primeira impressão. Claro, que não me deixo enganar, mas ficar satisfeito dessa forma é bem difícil. Por tantos requisitos que eu mesmo me imponho, acho que posso acreditar nos meus julgamentos até que o contrário seja provado, o que não indica que vou me surpreender.
É assim, as pessoas aparecem e te impressionam. Você fica feliz. Gosta delas. Sente carinho. Quer nunca perdê-las. E enquanto isso existir, o sorriso também vai existir. Se o contrário acontecer, é a vida, e eu já tenho vacinas o bastante. O negócio é aproveitar o momento, se te faz feliz, abrace. Não pense no futuro.
É tão estranho notar o quão 2012 foi estranho. Podia muito bem dividi-lo em dois. Julho seria o marco do bom e do ruim.
Foi nesse ano que eu tive meu melhor momento, e também meu pior momento. Foi nesse ano que eu vivi uma das mais maravilhosas sensações e uma das piores experiências. Foi nesse ano que eu ouvi juras de amor e também palavras de descaso. Foi nesse ano que eu me vi preso, apaixonado e feliz, e também perdido, cansado e triste. Foi nesse ano que vi um olhar amando e um olhar falso. Foi nesse ano que perdi também uma das pessoas mais importantes na época, contudo, foi também nesse ano que vi que de fato ela nem era tão importante assim. Ainda assim, foi nesse ano que aprendi muitas coisas, de coisas boas e de coisas ruins. Foi nesse ano que conheci pessoas ótimas e conheci lados até então não demonstrados de pessoas que já estavam aqui. Foi nesse ano que tive aqueles momentos pós-tempestades.
É tão estranho notar o quão 2012 foi contraditório. Cansativo. Alegre. Triste. Um paradoxo. Um ano de vivências, aprendizados. O mais importante até agora. O mais feliz e o mais triste também. O mais difícil e o mais cheio de vida. Talvez por isso eu não ligue de deixá-lo pra trás. Aprendi, tive momentos, mas os lados ruins talvez tenham sido maioria, por mais que deles tenham vindo coisas boas. E é sem dó nem piedade que dou tchau pra tudo aquilo que ficou. Pra tudo aquilo que deixei; Pra tudo aquilo que vai e não volta.
É só sem dó nem piedade que eu vou pra 2013, com tudo novo, e nem sequer olho pra trás com saudades.
Talvez o que eu queira, é apenas saber se tudo aquilo não foi descartado. Pois fica parecendo. Tudo vivido. Todos os momentos. Todos os olhares. Tudo que dias antes estava daquela forma, e de repente é jogado fora.
Tudo falado foi mesmo mentira?
Queria tanto saber. Queria tanto ouvir, olhando nos olhos.
Só não entendo o Por quê. O Por quê de não querer nem sequer me ver. Se é por mim ou por você. Se é raiva, ou por ainda amar.
Queria tanto saber.
Sabe aquela coisa que você carregou por tanto tempo, que sufocava, cansava e não aguentava mais?
Ela some.
Pode ser da forma errada. Mas se você for perceber, nunca estava satisfeito. Era enganando a si mesmo que se parecia satisfeito.
Você se lembra do inicio, quando nem beleza via. Era só o jeito. Que por sorte cativou e prendeu. Você se lembra das chatices. Das perdas que teve que fazer. Pra agradar, tudo por causa daquela cativação de outrora.
Ao sumir, você se sente livre.
Era só o que faltava mesmo. Aquelas palavras serem ditas, toda a verdade falada para que não sobre nada. Aquele desapego sumir. Porque, é claro, a falta que sentia era por que houve um costume, um apego à nova rotina. Que não era tudo, mas era ilusória. E claro, tudo enganação de outra parte.
E se foi, foi mesmo pra dar espaço à uma de verdade.
Pelo menos isso.
Hipocrisia, amor e um pouco de sal.
Pessoas responsáveis, que eram para serem maduras. Uma é sincera, fala o que sente. A outra trata mal, como se nenhuma relação tivesse acontecido, como se nenhum sentimento tivesse crescido no interior. Onde está aquilo que foi cultivado? Onde está aquele sentimento que juntos eram fortes e venceriam qualquer coisa? Quer dizer então que tudo foi uma mentira? Enganação? Por que, um conflito resolvível se torna impossível. Será que não foi o bastante? Por que não foi o bastante? Não houve respostas pras perguntas. É como se “já disse, e pronto, some”. Palavras que antes dizia nunca proferir.
Deve-se esquecer. Há muito destrato e ninguém merece isso. Até porque, um papel correto, de correr atrás do que ama, de desabafar o que está no coração, já foi feito, se não houve correspondência, não há compaixão. Não há, pessoa sensata que trataria assim. Não há uma reprocidade. Mas sim uma hipocrisia. Quem falaria que ama, mas não deve estar junto? É como se alguém, que come chocolate, mas diz que não gosta. Como se pedisse um abraço, sem querer ser tocado.
Para que haja uma atitude dessa forma, ou o encanto acabou, ou não há amor. Não que nada seja sentido, há um sentimento, mas o que existe não é o suficiente pra manter um relacionamento. Ainda assim, não há motivos para que haja atitude de forma grosseira e injusta. Além disso, uma história de que não quer namorar, é papo furado. O ser humano é feito pra ter vontades e querer satisfazê-las, em uma adolescência, que é o ápice de tudo, isso é ainda maior. E não há feiura na pessoa, pode conseguir muita gente, e vai e fala que não quer se relacionar? Isso é papo furado. O que quer é sim uma relação com outra pessoa. Porque cansou. Mas não admite. E para isso, para ver que tudo é verdade, é só aguardar.
Deve-se pensar em si mesmo, nessas horas, para lidar com pessoas destratantes. Pense, lembre-se, não havia satisfação pra você, em sua parte. O que é falta, agora, é falta do costume, do apego, daquela coisa que foi feita para os dois. Não havia satisfação sentimental, por mais que quisesse e lutasse. Não desistisse. Nesses casos, sinta-se alegre pelo fim, você não vai mais ser tratado mal. Não se pode, de maneira alguma, achar que a culpa é só tua. Ou que é incapaz de conquistar alguém. Não há certeza sem uniões de dois elementos. Vai haver outra pessoa, outra união, que vai ser diferente do que você achava que era a certa. Podendo ser muito mais duradouro ou gostoso. Por que o fato de se apegar à alguém, torna tudo mais afetivo, mais maravilhoso, e você se engana com aquilo que foi.
O fato é simples, esqueça. Deixe pra lá. Ignora o fato. Deixe de lado. Por que, chegou na linha final. Houve humilhação, e não foi mais de uma vez. Alguém assim mereceu tudo que passou em relacionamentos passados. E acredite, vai haver mais. Quem tentou ajeitar, foi quem foi atrás, lutou pelo que é certo. Tentou colocar em mente. Mas se não há aprendizado, merece sim tudo aquilo.
O sim, na resposta final, é detalhe para ver mesmo que não há consideração, mesmo com tudo que foi falado, com tudo que foi feito poucos dias antes disso.
E assim, levar em frente.
“E isso é tudo, pessoal”?
Há quem pense que os finais são fáceis.
Já tive alguns, e deles só vieram lágrimas e solidão. Mas nada comparável há um final repentino e nada feliz.
Por mais que nada mais dê certo, para que chegue um final, você coloca na cabeça que as coisas sim poderiam dar certo. Afinal, eram certas, porque não resolver? Somos ensinados a não jogar nada fora, e sim concertar. Mas, nem isso é tentado.
As lembranças povoam o interior da mente quando os finais chegam. As viagens que foram feitas, as palavras que foram faladas, os toques que foram dados. Até mesmo as aventuras, recheadas de emoções. As coisas novas nunca antes testadas. Poderia citá-las até o fim da noite. Estou com todas na cabeça. Ainda que não deva.
Será mesmo que isso tudo é inferior aos defeitos para que não seja concertado?
Se dias atrás, era só alegria, só perfeição. Olhares felizes, olhares apaixonados. Abraços amados e palavras sinceras. Por que o fim deve chegar após uma pequena perturbação? A paciência não existe mais? Ela volta. Será mesmo que todo o amor sumiu?
Se ainda é assim, por que não tentar concertar sempre? Dar o tempo necessário para que a vontade de desistir vá embora e volte a tentar. É assim com jogos e coisas que estressam. Você tenta, tenta, tenta e não consegue, deixa pra lá e depois de um tempo, descansado e pronto pra próxima, volta e consegue.
Por que não pode ser assim? Coisas boas devem estar juntas. Pessoas boas devem estar juntas.
Não jogue fora o que anos foi bom. Pense. Não estrague.
Finais, podem não ser finais.
Há ainda, as esperanças, os Epílogos…
Entre tantos tapas e afagos, encontro espinhos e ocasiões das quais não tenho controle. Aquela em que tudo parece terminar. Tudo parece acabar por dentro. E não consigo ter forças pra mim mesmo. Baixa auto-estima, baixa segurança. Então o que fazer? Se ninguém tem paciência? Nem mesmo quem ta do meu lado e que prometeu sempre lá estar para isso fazer, não consegue. Nem mesmo quem grita que te ama, quem te afaga em outros momentos, tem ânimo pra continuar.
E então, tudo parece acabar. Amor não parece continuar. Palavras parecem se silenciar. E os medos, ah os medos, esses sim saem pra farrear. Encontram-se e alimentam pensamentos, em conjunto com medos antigos e atuais. Ajudam também os olhares, modos, toques, reações, tudo a piorar. E sem a principal sustentação, eu continuo sem saber a quem procurar…
Independente de tudo, fico pensando se o que é legado pra minha vida são as coisas que vêm acontecendo. Uma rotina que eu insisto em me enganar de que irá mudar, uma hora ou outra de diversão e outras horas de o mesmo de sempre. Um despreparo que me faz apostar no errado. Ver que o que não dá certo possivelmente não dará mais. Mas algo insiste nisso. Palavras. Sentimentos. Corações. O que me fazem viver num círculo, que sim, é muito vicioso. Mas o que fazer? Tentar o novo. Sorrir. Deixar pra lá? Queria só que as esperanças se concretizassem, e sim, mudassem o que parece não querer mudar.
E a roda gira mais uma vez, voltando ao ponto inicial
Por mais repetido que seja algumas coisas tornam a acontecer. Por puro desprezo e desatenção. Ou mesmo, por pura naturalidade e coisas do coração.
Ainda me pontifico de botar na cabeça que coisas devem ser feitas assim e assim. Mas, a convivência obrigada apaga da memória meu único poste de sustentação. Aquele que me ajuda a manter aquela coisa que aprendi. E, portanto, tudo se destrói. Tudo volta do jeito que era antes, até as dores.
Vejo aquilo muito perto de mim, os sorrisos, os carinhos, e assim eles vão me deixando fraco. Carente. Necessitado de tudo a todo instante. O que para o que recebe não é tão agradável. E nessas horas que as dores voltam. Resta-me imaginar que quando houver a deixa dessa convivência, o poste voltará e assim, me tornarei forte e inatingível de novo. O que me faz pensar, um mal necessário e uma coisa chata, porém admissível.
São em horas decadentes que percebe-se quantos amigos se tem. Percebe-se que não há pra quem correr. Percebe-se que não há pra quem gritar por ajuda. Percebe-se que não há quem tenha um ombro pra chorar. Uma solidão até então não notada. Não por falta deles. Mas por que sua vida se foca em poucas pessoas. E talvez só uma delas seja amiga o bastante. E aí, quando a causa é essa pessoa, não há pra quem correr. E você se vê só. Percebe-se, então, que não há quem pergunte um verdadeiro “você está bem?” e no fim só resta você e seus pensamentos e a agonia para que aquela única pessoa que existe resolva o que causou.
Contador de Histórias
Uma vez contaram-me uma história. Daquelas de vida. Houve duas pessoas, e elas não se davam bem. Uma amava mais que da conta, a outra amava timidamente. Lembro-me das palavras: podia estar em prantos, gritando para seus ouvidos o quanto doía e ela não aparentava ligar, não aparentava sentir, só se via raiva, só se sentia frio e ofensas; Lembro-me que dizia que chorava, e muito. Quase em vão, enquanto ouvia palavras jogadas em sua cara; dramático, é o que mais repetia. Uma vez contaram-me essa história. Lembro-me tão bem agora. O contador de história tinha tantas. Muitas quase repetidas. De seu fim massacrante. Do fim de um sentimento massacrante. Pensei por horas que daquilo aprenderia nunca fazer outros passar por isso, pois já havia tido na pele o bastante, o máximo. Que se fizesse o mínimo, talvez percebesse. E então, me vejo enganado. O contador de histórias talvez seja eu da próxima vez. Com histórias diferentes, mas um tanto quanto parecidas.
Uma vontade de fugir e viver em um mundo novo onde não há mais aquelas preocupações, aquelas raivas, aqueles receios. Mas, se eu fizer isso, estarei deixando também coisas boas que ficarão sumidas para sempre. Coisas que sei que me fazem esquecer aquelas ruins em segundos. Sendo assim, como agir? Como lidar? Coisas complicadas só fazem complicar mais ainda o que já é preocupante. Esperar? Deixar? Não ligar? Até hoje espero pra aprender essas coisas. Deixar levar e não importar, sabendo que as coisas boas virão. Mas é complicado, como tudo nessa vida.
Às vezes penso que sou louco. Quero coisas e não quero coisas. Quero paz e liberdade, quando elas, contudo já existem. Então o que quero? Penso no momento do querer e vejo que realmente quero. Mas quando o outro lado mostra algo parecido, já desespero e penso que não, realmente não quero. É confuso, eu sei. A vida é cheio dessas coisas, e no fim não sei de nada.
São em horas obscuras e solitárias que vêm o melhor dos sentimentos em sua constante ascensão. Não por conta da saudade, que por acaso é um sentimento que vêm em conjunto, mas por conta das lembranças. Aquele beijo, aquele abraço, até aquele sorriso que só é visto quando te vê. O toque e o carinho apenas mentalmente. E até o cheiro vêm junto do sentimento na madrugada. Nessas horas obscuras e solitárias que tanto convivo. E que tanto me lembra o quanto amo. Que então percebo: sim, é o mais importante.
